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Hoje a Jovens League é (pós-) moderna. Há ranking, sorteio virtual, escolha de elencos, transações, BID. Até participante virtual teremos. Um escritor colombiano, chamado Gabriel Garcia Marquez, certa vez disse: “O que nós precisamos não é de modernidade, precisamos mais é de retroatividade”. A Jovens League trouxe uma grande revolução para nós, nobres viventes. O que era pra ser lúdico, ingênuo, travesso, passou a ser libado, conflituoso e, por vezes, transgressor. Os bate-papos entre amigos muitas vezes são levados para o assunto Jovens League e, muitas vezes (desculpe o pleonasmo), sendo levados a discussões totalmente desnecessárias e o mais grave: discussões sérias. A ala-minuta, a principal locomotiva, o frisson, a majestade, virou coadjuvante, secundária. O papel foi trocado pelo teclado, a ingenuidade pelo profissionalismo, a travessura por formosura e a brincadeira por obstinação. Até que ponto é verdadeiramente válido termos uma organização tão grande? Será mesmo essa a proposta de um bando de malucos por futebol? Não me atrevo em nenhum momento a dizer que a organização é o ópio da competição. Longe disso. Mas me atrevo a dizer que ela faz com que o que é para ser algo libertário, se torne em algo limitado, com fronteiras. E uma “competição” entre amigos, para mim, não pode assim ser. De imposições para cima de nós acho que estamos cheios. “Atravesse na faixa”, “Ultrapasse pela esquerda”, “Puxe a cordinha para descer do ônibus”, “Não estacione: garagem”. De regras já basta nossa Carta Magna, os códigos civil, penal, do contribuinte, caralhaquatro. O momento de amigos é para descontrair, discutir a verdadeira validade das regras (da sociedade), e não criá-las, recriá-las, legislar. Amizade é para ser ilimitada, não aduaneira.
O que quero deixar claro é que não estou pessoalizando esse protesto. Todos nós somos responsáveis pelo que cativamos. E nós cativamos essa competição para trazê-la viva até hoje. E bem viva, com grande expectativa de vida. É uma bonita e bela confraternização. Mas, em algumas coisas, tem deixado de ser saudável para mim. Por isso, retirar-me-ei da Jovens League. O Peñarol deixa sua marca como um clube anti-futebol-moderno e vai respirar os ares do futebol clássico uruguaio, onde os gramados tem crateras, as goleiras tem furo nas redes, o placar é trocado manualmente, o pau come durante a partida, mas, no fim, todos estão assando um churrasco no quintal do estádio, num agregado de tijolos e espetos enferrujados.
Carboneros se despedem de sua fanática torcida que sempre tomou a Arena Bessa
Avante, vida longa à Jovens League.
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