terça-feira, 10 de agosto de 2010

Se não fosse a A La Minuta seriam Outros 500

Já tentei pesquisar na minha mente diversas justificativas para responder a maldita pergunta feita por indivíduos que ainda não provaram do antídoto que é ficar em uma sala de 10 x 12 com 10 homens jogando uma contenda de futebol virtual. Familiares dizem ser uma fase normal da idade adulta: querer voltar à infância, medo do progresso, retenção das emoções mais ávidas, impedimento da noção da realidade. Alguns amigos citam poetas para exprimir o sentimento de perda do companheiro numa tarde de sábado: “Tu é doente, meu”; “Vai tomar no cu, te enfia com um monte homem pra jogar play ao invés de ir pra um parque ou fazer um esporte”; “Te interna, rapaz”. E ainda existem as cônjuges sabatinando todo o processo de industrialização do sábado. Ligações sistemáticas para saber se o vivente realmente está na batalha entre Drogba ou Villa e não chuleando o preço entre Greice e Patrícia nas bandas da Santa Cecília, onde fica o paraíso infinito: Sauna Guaíba.

A resposta que fica internalizada no meu ego é simples. Até simplória demais para complexidade que é montar uma esquadra a ponto de bala. Que chegue nas cabeças. Levante taças e mais taças. Consagre o goleador, melhor ataque, defesa menos vazada, gol mais bonito... Eu respondo para mim e para meus companheiros de fascínio pelo futebol virtual dizendo que é a paixão. Não existe outra palavra que exprima melhor a sensação de passar a tarde, e muitas vezes parte da noite, na companhia de bucaneiros senis em busca de uma taça abstrata, que navega nossas mentes durante a semana nas negociações de jogadores e idealizações táticas para vencer o adversário que nos derrubou nas quartas-de-final da última contenda. Eu, ele, nós somos apaixonados por isso. A paixão é nosso meio de transporte (te extraño, Drexler) para apertar aqueles quatrocentos botões puramente no instinto, as vezes na grosseria, em busca do gol que nos dê três pontos no ranking e para depois poder tomar aquele gole de coca-cola brindando a vitória estafante. Na derrota, nada mais trivial que colocar o balde de pipoca no colo e não pensar em outra coisa senão acabar com o produto para que teu inimigo passe fome e não renda a mesma coisa dentro de campo na próxima partida. Não posso deixar de elogiar, também, aos pais dos anfitriões. Esses também nos transmitem paixão ao liberar hectares da casa para prática de algo inconsequente, ingênuo, mas que erradia felicidade nos olhos de cada um. Até a vuvuzelaços já resistiram. Mas isso é barbada para quem já resiste bravamente as narrações em ré sustenido do Felipe Uhr, que divide o microfone com o espirituoso Rodrigo Bessa. Para nós brasileiros que resistimos a uma ditadura militar de 20 anos, tiramos de letra o mau-humor do Ilmar, às inconveniências da minha parte ao escolher o Lucho como segunda opção e às inquietudes do Gabriel Reinaldo. Isso sem falar dos bufos do Vinicius ao comemorar um gol e seus comentários de elevador. O que seria do campeonato sem seus astros e seus defeitos? Viemos ao mundo para isso: para conviver. E, principalmente, aprender a conviver. A Jovens League é um aprendizado. Uma epopéia. Um orgulho para qualquer participante. Eu me arrisco a dizer que, depois do Eike Batista, as 11 pessoas mais felizes deste pais somos nós: jovens guerreiros da távola futebolesca.

No entanto, não nos enganemos tão facilmente. Quando externalizo aos meus questionadores o porquê da minha participação assídua no campeonato eu vos respondo: “A minha locomotiva é a A La Minuta atômica. Se não fosse ela, seriam Outros 500”.



Jovens League sendo realizada durante queda de luz na Avenida Azenha

Vida longa à Jovens League,
Aguante!

Nenhum comentário:

Postar um comentário